Canário Pardo



O canário pardo agora voa só
Tinha um belo companheiro, porém ele se retirou
E voou aos campos sujos e secos do vale das sombras
Era lindo e plácido, as suas penas claras e brilhantes
Alegre e jubilante quando ainda o tinha ao lado
Agora suas penas caem
E são trocadas por novas
Porém não como as antigas
Que o diferenciava dos demais.
Complicado viver só
Mas, o canário pia o triste canto do desconsolo.
É cruel a dor da solidão
E é ainda pior quando se acostuma com a presença.
Mas, é vivendo que se reaprende,
E chorando que a gente sente.
Óh! Canário pardo não se extrema à tristeza,
Cede sóbrio ao álcool da tentação,
E paciente quanto à demora do preenchimento
Viva e pie sem pensar no desgosto de ser só.

Sebastião Sérgio

Semente Ferida



Ouve-se um som que vem do fundo de um fruto
Ele esta desolado, triste, pois nascerá sozinho como a noite
E depois foi adormecido pelo veneno do destino
E agora só, ele grita, em busca de socorro

Esse grito sussurra as dores do tempo,
E mesmo mórbido, ele humilde e grato aplaude
Como uma forma de adoração por seu surgimento
E reconhece que cada um tem sua sina

Ele vive almejando o saber, o conhecimento
pra preencher as lacunas do destino
Porém, seu instinto o faz esquecer do dia aprendido
E com o tempo, a monotonia virá contentamento

No entanto, a solidão ainda corrói sua alma
E mesmo assim, ele tenta escapar da lembrança
E seu brilho aumenta de expectativas e sonhos
E sua cor erradia tão forte, como a cor da esperança

Então, seus sonhos começam a solidificar
E um dia uma brisa o carrega para o céu
E ele agora voa... Como uma folha seca no outono
No entanto, a brisa cessa, e ele despenca

E os gritos de esperança tornam-se de angustia
E ele cai sobre a terra que estava molha
pelas lágrimas do céu, que se emociona com ele
Ele rapidamente se cobre para espantar o frio da lembrança

Então coberto pela terra molhada. Ele cresce.
Suas cóleras ficaram com a casca extraída pela terra
E ele se abre e de seu interior saí à esperança acumulada
E o grito agora é mais alto, mais agudo e feliz

Pois agora não grita mais em busca de ajuda
Grita, jubilando e louvando pela doce brisa.

Sebastião Sérgio

Rio de águas escuras

Quando você, rio de águas escuras
se encontrar com o mar do êxodo
Ficarei triste e sentirei dor
Como um feto que encontra a luz, fora do útero.
E a saudade, que me tirava o sono
antes de sua chegada,
voltará, como a seca que atordoa
os corações dos angustiados,
que não esperam sua repentina chegada.

Somos amigos, como irmãos do mesmo do Pai
Pai esse que nos ama. Mas você ainda insiste
na vazante absoluta da razão
Mas, não o julgo por isso
Mas, Pai é Pai, e seu amor paterno é imortal

Somos sinônimos mútuos.
Não sei como, mas me vejo em suas águas negras
Acho que é nossa homogeneidade que proporciona isso

Ora, eu oro por sua não descaracterização
e pelo não clareamento de suas águas, que são muitas
se no futuro, sua imigração se confirmar
piarei como o canário pardo
o triste canto do desconsolo
e como o vento que eterno sopra
será minha lembrança de suas águas.

Sebastião Sérgio

Avidez ao tempo

sou ávido pelo tempo
apaixonado pelo ritmo da alma
Ah! Quem me dera tramar todos os dias com o destino por sua adoração.
Quero viver amante dos pássaros que me alertam na presença da aurora.
Eles são poetas despertadores, lembrando-me do fim do sono com seus poemas enfáticos
Tenho uma ardente ambição em cortejar o tempo
e reverenciá-lo como o patamar supremo
e assim me colocar com um ser ínfimo.
De soslaio sobre a cadeira obsoleta posso observar seus movimentos
onde ele passa da magnitude superior
até despejar sobre a âmbula sem graça e inferior
quero ser como alguns que têm intimidades com o tempo
e conseguir reverter as âmbulas
e sair de uma posição seca a me esbanjar
num mar de deleites

o tempo é eterno, forte e presente em tudo
é como o vento que terno, sobra
é como uma imagem que eterna, fica
individualmente, o mundo acaba
mas, é o tempo que determinará seu luto.
Pra uns ele é herói, pra outros vilão
e quem determina a veracidade de seus atos
somos nós, cada um com sua concepção
mas, ele É, querendo nós ou não.

Sebastião Sérgio

O homem por detrás dos óculos



O homem por detrás dos óculos já sente o cansaço. Vê que o tempo passou tão rápido que ele já não consegue acompanhar as coisas. O homem atrás dos óculos quer partir, mas ainda não sabe para onde nem com quem... e, como se mentisse, já quer voltar e ficar ao lado dos seus, eternamente. O homem por detrás dos óculos ainda não cresceu...está amadurecendo...por isso sofre, sofre ao deitar na cama e lembrar que está sozinho...que seus amigos estão longe, que seus amores não o amam, que seus problemas não acabam, que sua vida não o espera e que seu destino não chega...
O homem por detrás dos óculos é diferente dos outros... ele sofre silenciosamente... cada "não", cada "talvez", cada "se". O homem por detrás dos óculos quer adormecer e viver uma vida só de "sins" e assim...talvez, realize seu maior sonho...ser feliz.

Dôuglas Ferreira

Hipnotizados pela mídia

“... e nesses momentos o seu coração se aproximava do solitário e ridicularizado herege da tela, o único guardião da verdade e da sanidade num mundo de mentiras.” Trecho do Livro 1984 de George Orwell

Há momentos que me pergunto: será que o mundo é realmente o que se passa na TV? Ou será que tudo não se passa de informações filtradas para que portemos da forma que “eles” querem? A mídia é a melhor forma de se propagar noticias, porém nem sempre o que se passa na mídia é realmente verídico! Meios de comunicação usam freqüentemente seu poder para dizer o que querem e princiapalmente o que lhes convém ou que convém a outros. O que é dito ser imparcial é na verdade muito parcial. Um exemplo disso é o caso Isabela que tem repercussão nacional e é extremamente divulgado. Uma menina jogada do prédio pelos pais, mais o mais interessante é que muitas crianças morrem empurrados pelo descaso do governo de cima dos prédios do desenvolvimento social; Morrem de fome; morrem de sede; morrem de doenças; morrem as esperanças; e o que é divulgado? MUITO POUCO, QUASE NADA! Quem se lembra da atual epidemia de dengue? Quantos já morreram? Acho que ninguém se lembra. Pois é, o filtro dos interesses da mídia afeta nossas vidas direta ou indiretamente. Afeta na maneira de andar, na maneira de falar, na maneira de vestir, na maneira de comer e até mesmo na maneira de pensar! Os hipnotizados pela mídia são membro de uma mente coletiva dependente. Saiam da hipnose e vivam a liberdade.
Sebastião Sérgio

Soneto do Amor Eterno



O amor não é físico, é sobrenatural
é sentir sem tocar, viver sem lamentar
é ver o invisível, ser incorruptível
é simplesmente sonhar

Amar é crer, é exceder
É viver, é ser
É se alimentar de afeto
ser certo, estar perto

É voar ao ar, imaginar
É ouvir, é falar
É com pouco, saciar

É jubilar com a presença
contentar com a essência
e ter com quem viajar, no mundo dos sentimentos.


Sebastião Sérgio

{suplemento



Se eu puder evitar que um coração se parta
Não viverei em vão.
Se eu puder suavidar a aflição de uma vida
Aplacar um dor,

Ou ajudar um frágil passarinho
A retornar ao ninho,
Não viverei em vão.

Emily Dickinson

jovem flor



Andava certo dia quando se depara com uma flor. Essa que flor ainda brotava, porém seu amor por ela já salteava e não conseguia se conter, tamanha era a chama que o queimava. Ele todos os dias a banhava com água, e às vezes seu braço esticava para tentar nela encostar. Porém lembrava que era broto, e não podia. Porém no outono, as suas folhas caíram, mas o jovem não desistiu e disse que esperaria o tempo que fosse pra ver aquela flor de novo. E o tempo passou e passou, e ainda passa e ele continua a espera da primavera pra rever a cor da flor que o consome de amor.

Sebastião Sérgio

amor concreto

Em glória à meu amor,
Que em presença me afega
Traz a esperança consigo
E em paz, minh'alma sossega

Ao Poeta de cada um



Ser poeta é ouvir antes de tudo
é ser nada é ser tudo
literalmente
poeta não sonha, molda o futuro

Poeta não vive na carne, vive no verbo
poeta é ser o que quiser ser
pode ser uma pedra que tudo vê
ou tudo que vê pedra

Poeta tem só alma
não se hesita, fica na calma
É neutro, é branco, é paz
é moça, é rapaz.

É negro, é mulato, é branco
é mal, é bom, é santo
é presente, é ausente,
é animal, é gente

Ser poeta é temer o ponto final
É exaltar a vírgula
Reclamar à exclamação
Questionar a interrogação

E chorar de tanto amor
É ser intimo da eloqüência
é ser leitor
é ter consciência

É, enfim, viver quando quiser
Inspirar-se com café
é jogar o jogo
é ser velho, é ser novo

Eu, a árvore



Sou uma árvore e estou sendo atingida pela esterilidade
A árida e rígida seca me atormenta e me consome, aos poucos
Ao meu derredor vão surgindo pedras, tragas pela ignorância
Estéril, minhas folhas vão caindo e me sinto nu, inseguro

A água que antes me banhava sem cessar
Agora se desvia, devido à barreira de pedras
E o radiar da luz do sol, que me cintilava
Agora é interrompido pelas negras nuvens

Mas, não cheias de águas

Todavia tenho esperança no Jardineiro
Que ele venha e extraia o câncer dos meus galhos
Que me regre, com águas brandas
Retire as pedras e me adube, de amor e cuidados

E depois de seu carinho em servir
Eu, a árvore, cresça e possa esverdear
E minhas cóleras queimem sem misericórdia
Frutífero novamente me tornarei

Que meu futuro frutífero,
seja mantido com minhas sementes
E que sempre tenha,
Um jardineiro fiel e servo ao lado

Sebastião Sérgio

Soneto dos pêssegos



A amizade é como um Pessegueiro
O amigo é o fruto
carnoso e de uma só semente,
o amor

O prazer da amizade
é como a flor do pêssego,
suave, penetrante, linda
incomparável

Os pêssegos crescem junto ao pessegueiro
e surgem das flores que cintilam e resplandecem
nos trazendo o seu doce e suave aroma

Quem degusta desses pêssegos não desperdiça sua semente
As joga em terra fértil pra que ela cresça e frutifique
continuando assim o ciclo da amizade


Sebastião Sérgio

triste inspiração

É na tristeza
que minh’alma de poeta
se expressa

Saindo do cubículo do meu ego
para os mundos
de cada um

Não tento fixar meu verbo
tento apenas transparecer
pra me esvaziar

Se não concorda comigo
discuta com minh’alma
e redijam juntos um poema alado.

Às almas aprisionadas:
Não fiquem na memória
Se expressem!

Aos humanos incompreensíveis:
Sejam poetas da vida
e libertem os verbetes áureos

Seja na tristeza, como eu
Seja na alegria,
Mas deixem seu “eu” falar

Ai sim! Entenderão
a função do poeta
e a magia da poesia

em homenagem à minha vizinha, Mírian.

Sebastião Sérgio

Mein Sonntag


Quando chove não te vejo
Mas sei que está aí por cima das nuvens
A água cai, a angústia chega
Seus raios não me tocam
Sinto-me só.

Ah Meu Sol. Cadê você?
Sem você
Tudo fica escuro
Tudo fica frio
Tudo fica sem graça

Com você
O céu é mais limpo
O ar mais fresco
O tempo mais feliz

O amor, com a aurora, chega.
A saudade, com o crepúsculo, oprime.
Por que você se põe?
Por que não se imortaliza?

Céu esquecido


Hoje tive vontade de olhar o céu
Fazia tempo que não o via

O tempo passa
A gente fica velho
A vida muda
E o céu está ali
Esperando pra ser apreciado

E eu aqui
Esperando chegar em casa e,
Dormir

Quado o revi
algo novo aconteceu
aqueles pontinhos claros
que eles chamam de ...
estrelas
ELAS BRILHAM.
Sério mesmo
e são tão lindos

Naquele dia, esqueci do sono
Fiquei admirado como o esqueci

Sebastião Sérgio

Poema retirante



Vejo no olhar de cada um desse povo
A felicidade extraída da pobreza
O amor esculpido na incerteza
O valor da fé inabalável
A esperança pelo novo dia
A alegria singela
A paciência na vida

Nesse chão, nessa terra
Meu povo, minha história
Ah .., A distância disso tudo
Aos poucos fera a alma

A lembrança de um tempo
A vivência apreciada
As imagens eternizadas
Tudo isso ainda tenho
Guardadas no meu peito,
Refletidas em meus olhos.

Sebastião Sérgio

Hey, boy



Hey, boy
o que elas fazem?

como nos atraem?
como nos apaixonam?

seria o perfume?
seria a pele lisa?

parece um veneno
mas seus efeitos são opostos
não queremos o antidoto
queremos mais e mais veneno

elas são tão lindas
elas são tão, tão, tão
isso mesmo, cara.

é sabia que também
conhecia uma delas
elas realmente hipnotizam

o veneno mais doce,
a tortura mais suave,
o monstro mais belo,

yer, boy.
também não sei
nem adianta me pergunta.

Sebastião Sérgio

'REALIDADE' virtual



loading ...
restart na realidade
plugin na virtualidade
deletando sentimentos
download do perfil
atualizando fakerosto ...
inserindo dados
ERROR
informações invalidas
digite o CPF
para confirmação de sorriso
OK.
sorriso logado com sucesso
desconectando ...
conflito de REALIDADE
memória insuficiente
favor aguardar
favor aguardar
favor aguardar
fa..vor aguar...darrr

Sebastião Sérgio

Damiani

De um verde que ofusca
à um sorriso discreto que atina
De simples palavras
à um discurso de sentimentos

Menina; desconhecida
Garota; adoravel
Mulher; bela

Admiradora de poemas
Gaúcha sertaneja
ela é trilegal e tricolor

Hey,italiana hipnotizadora
a caminho da Argentina
um dia passo ai

Imaginando e sonhando
simultaneamente, virtulizando sentimentos
Coincidência ou não?
Dio aiuta.

tentar, tentar, tentar,
un giorno imparare a vivere
ordine? non si avvia
do que não sei,
nem quero saber. ainda.

Sebastião Sérgio

paixão

Pra gente sentir saudades
Pra gente sentir vontade
Pra gente morrer de amor
Pra gente sentir dor
Pra gente ser livre do mundo
Pra gente ser capaz
Pra gente poder dizer:
te amo cada vez mais

Pra isso que serve o céu azul
Pra isso que serve os olhos
Pra isso que serve os poemas
Pra isso eu sirvo
Pra isso servimos

Paixão é gente

Às vezes toca, às vezes sente
Às vezes fria, às vezes quente
Às vezes fala, às vezes mente

Sim, é pra você

A ela,
Cujo sorriso é mais largo
Cujo perfume é mais doce
Cujo jeito é mais adorável

És da terra do frio, mas seu coração é quente
És como a lua, tímida e bela

Dancemos junto
A canção das almas associadas,
Do amor duradouro,
Dancemos até cansarmos
Afinal isso é que importa

Vivamos nosso amor, do nosso jeito
Sem preconceitos, nem conceitos...
Afinal nada disso importa

Vamos a qualquer lugar
Pois a dois é sem limites
É sem fronteiras,
É sem geografia

Afinal no final o que importa
são nossa escolhas, nossa paixões
nossos amores, nossa historia.

Poema da Estação

Chegou à estação,
Um jovem solitário,
Ao sair do trem,
Olho para trás,
e viu a saudade
se aproximar num só ritmo

Lembrava as paisagens,
Os reflexos no rosto,
As conversas daquela gente,

Mas não conseguia tirar da mente
sua jovem amada
O último beijo
na estação da vinda
O último adeus.
na caminhada lenta do trem
Lembrou também a noite anterior
O calor revelado nos toques
quando o frio la fora castigava

O jovem lembrou ainda
Quando corria,
Quando vivia,
Quando dizia,
Quando sabia
Quando se abria,
naquele pequeno vilarejo
Revia seus momentos ...

Mas todas essas lembranças
se forom com a saida do trem
E agora a sua frente havia
um novo futuro, um novo amanhã!

Vá jovem!
Faça das saudades, conquistas
Da solidão, parceira
Da escuridão, fé
Da vida, trampolim.

Quando morrer,

Que estupidez a de vocês
Porque quando eu morrer
Não quero choro, nem pranto
Nem desespero e muito menos dor
Quero apenas xícaras de café
Porque a morte é muito amarga
E o sabor adocicado do café estará figurando
Meu adeus soluçante, porém doce

Então, nada de enterro
E sim muita cafeína
Celebrando o término de um ciclo
Sedentário e extremamente amargo
Para um começo desconhecido,
Porém adocicado, com café.

Luto da Paz;

Quando todos estavam distraídos,
A paz morreu de cansaço e indignação
Todo mundo a conhecia; Mas ninguém a entendia
Falavam como se fosse apenas uma cor; Branco
Falavam como se fosse apenas um verbo; Paz
Falavam como se fosse apenas um prêmio; Nobel
Todos falavam, mas ninguém a creditava
Era sozinha, solitária, confundida e nunca amada

A gente matou a Paz; Sério!
E não valorizamos:
“Deixo-vos a Paz, a minha paz vos dou”
Agora? Ressuscitemos!

Ela está ai, bem perto!
Busquem-na,
traga ela pra fora!
Deixa ela se expor,
Não a reprima.
Libertem-na!

Até quando?
Ficaremos sem ela?
O mundo chora!
Eu choro!
Você chora!
Falta ela!

Ficaremos de Luto,
Depois festejaremos juntos;
Até lá a consciência
Reinara, contra a ignorância!

Eu profetizo!
Ora, quem sou eu sozinho.
Podes me ajudar?

No ócio

É bom brincar com as palavras
Jogá-las ao lento
Buscá-las ao vento
E formar delas
Canções, lírios, poemas

Melhor ainda é encubar os sentimentos
E formar com eles conexões
Ligações de adjetivos
Elos de cotidianos
Reflexões poéticas
De um mundo às vezes sombrio

Enfim, no ócio a gente
Nada mais é do que
Pedreiro das palavras
Construtor de idéias
Decorador de sentimentos
Manipulador do passado
Profeta do futuro
Opositor da censura
Descritor da realidade
Usuário assíduo
De uma vida construída
Por quem a vive
E a deixa viver

Ociosamente a gente continua
Sendo feliz a todo tempo
Seja de dor e de lamento
De amor e de momento

versinho morto

Abortaram dele a vida
Asfixiando seus sonhos
Extraindo sua alma à força

Iria ser feliz, iria amar
Mas preferiram o ver morto

versinhos de fé

A fé que tenho
Embora às vezes boba
É forte, É alegre
E me faz mais eu
A glória que sinto
Embora invisível
É sólida, é solta
E me faz mais ser
O que presencio
Embora contestável
Pra mim é natural
E me faz mais real

Jazz

Improvise e deixe a vida te guiar
Não seja peso, seja pena,
Não seja fardo, seja leve,
Voe alto e sem pressão

Veja ao longe o horizonte
Não há distancia, há sonhos
Deixe que seus olhos vejam
E seu coração sinta
O frescor da brisa

Não diga nada, seja mudo
Balance num ritmo alucinante
Não siga a melodia

Melodias são normais
Não seja normal

O vento leva
O vento trás
Dificuldade, pessimismo
Tudo nada mais é que
Uma questão de ótica
Quem determina
O significado da vida é você

O mundo é apenas teórico
A vida, essa sim é prática.

cherries

Hoje acordei sem inspiração
Escrevi o que me veio na mente
Resolvi não escrever de amor
Resolvi escrever de cerejas
Elas são bonitas, gostosas
São redondas, brilhantes
Quando não se usa
Agrotóxico, é claro
Já quando se usa
São mais bonitas, mais gostosas
São mais redondas, mais brilhantes
Mas sinceramente eu nunca vi uma cereja
Muito menos uma cerejeira
Mas isso é irrelevante
O relevante aqui
É minha falta de inspiração

Paradoxal

Quem disse que isso é melhor?
Quem disse que Deus não existe?
Se não existe, qual o problema de eu inventá-lo?

Glória, não tenha medo dele
Ele é diferente, mas não importa
Nada importa, agora
Ele não é vilão
Ele é avesso, mesmo assim não importa
Quem disse o normal ser normal?
Quem disse o certo ser certo?
Tudo não passa de sinônimos, antônimos e coisa e tal

A TV mostra o que não quero ver
Mesmo assim eu assisto, é normal assistir
A cama me dá o descanso que tanto quero
Mesmo assim eu não me deito, é anormal não dormir

Glória, não se assuste, apenas
Pense o que quiser pensar
Faça o que quiser fazer
Mas deixe esse mundo de lado
E ponha seu mundo a tona
No seu universo privado

A pequena galáxia do eu

A contradição da vida
impõe, embora camafludamente
A realidade do controle
A realidade do poder
A realidade singular
Isso nos força a criar
Um mundo paralelo
Uma dimensão surreal
E nesse novo e discreto
Universo privado
Eu recrio sem limites
A minha realidade
A realidade, pura
A realidade, livre
A realidade, real

Ao mesmo tempo
Sou um e dois, dois e um
Um ser que em paradoxo se esconde
Um ser que na normalidade se exibe
Qual deles sou eu?

a sonoridade da vida

A gente esta morto
Morto de fome
Morto de sede
Morto pra vida
Nada mais faz sentido
Nada mais é real
No heavy metal da vida
Tudo é surreal
Tudo agora é Black
Tudo agora é cético
Tudo agora é triste
Se não há Deus
Eu o reinvento
E o que há de errado nisso
Os gritos de uma alma sedenta
Germinam no óvulo da música
E eu a ouço
Mas não é isso que
Realmente sou
Mas não é isso que
Realmente quero
Eu escolho e não há intervenções
Minha vida é um Jazz
Tudo no improviso

versinho conectado

O pivô disso tudo
É a conectividade
Não sou objeto
Sou sujeito
Sujeito a isso tudo
Conectado com
O mundo
Te peço, te rogo
Que não afaste-se
De mim,
Não desencadeia
Essa cadeia.
Faz assim
Reconecte!

1212

Uma palavra morre
Quando é dita —
Dir-se-ia —
Pois eu digo
Que ela nasce
Nesse dia.


Emily Dickinson

anti-poema

o poema que te fiz
de nada fez efeito.
acho difícil traduzir em verso
o que transborda aqui no peito.

esperança poética

E na morte, na dor e
Na tristeza não compadecida,
Vivia um poema
Vivia - ele - a fim de fazer
Com que o real se retirasse
E o sonho se libertasse
Da cólera da vida
Deslembrando assim
Nem que por um minuto
Da lembrança da fome
Do horror da miséria

poesia jamais lida

As melhores poesias,
Ainda não foram expostas
Estão ai na alma dos poetas
Desconhecidos

As melhores poesias,
Ainda não foram expostas
Estavam ai nas palavras
Dos jovens ignorados

As melhores poesias,
Ainda não foram expostas
Estarão ai na esperança
dos mais desconsolados

poema sem sentido

Qual o motivo do choro?
Desconsole, nem que viva
Oh! Angústia
Nem que mate de tristeza
A jovem donzela
Que não extrema,
A vida embora
Que mesmo assim
Na profundidade
Agônica do ser
Mesmo que invisivelmente
A gente, que na certeza
A incerteza da atitude
A clareza do rio
Da Prata enlaçada ao
Meio da traça
Corrói o comportamento
Que vive descomportado.

da série só Jorge Luis Borges Acevedo entende.

deprecated

the sun is blue
the sky is yellow
the green is now purple
happy was the sad
the sad continued sad
life seems more difficult
the world falls, I wonder
my friends are gone, ask me
what happened to me
everything was so well
but neither am concerned
I can translate it all
in my particular universe,
in my poetic world.

da série poemas que o poeta entende,
tião.

a carta que não quero receber

caro poeta,
quero agradecer a você
pelos serviços prestados
quero te dizer que eu tentei
descrever seu mundo
como me contava.
Fiz o meu melhor
perdoe-me se falhei
se não fui transparentes
e se não o entendi
mas repito
fiz o meu melhor
fui seu amigo e você foi o meu
e até gostei de você
mas, tenho que ir
tenho outros a consolar,
a reanimar,
a reavivar
então, adeus cara
e se puder me liga
atenciosamente, o poema

da série só Jorge Luis Borges Acevedo entende.

Contraposição

a quem quero enganar
estou triste sim
e você não tem nada
a ver com isso,
ou tem, mas se tiver
que não tenha,
e se não tem
que tenha

ah sei lá

a quem quero enganar
estou alegre sim
e você tem tudo
a ver com isso
ou não tem,
e se não tem
que tenha

ah sei lá

se sou confuso
de nada importa
o importante aqui
é que já esta
tarde e vou dormir

ah sei, agora
é o fim

da série poemas que o poeta entende,
tião

morte súbita

e deixou-nos
sem deixar
de si saudades,
assim o fez
o velho navegante
da vida.
partiu e remou
em vão,
e nem sequer
disse te amo
a sua amada
nadou de braçadas
até cansar seus
pequenos braços
em vão,
e nem sequer
olho em sua volta
o quão amado era
sofria
chorava
e não percebia
a alegria
do seu lado

enfim,
morreu,
sem poesia

nosso encontro

Porque quando a gente
se encontrar não precisa
dizer nada, apenas segure a
minha mão. Me passe
o seu calor a sua paixão
Me abrace bem forte
que assim vai me dar
sorte. Pra dizer:
te amo.

Deus

Folha seca que cai no chão
Pássaro que voa no horizonte
Nada é feito em vão
Tudo é tão perto, é tão longe.

a morte do nosso herói

Um herói de guerra
caminha com a fé
pendurada no pescoço
jovem o homem
jovem o moço
lar o esperava
batalha a tiros
paisagens sem
degustação
ali no meio uma
vala é desenterrada
em nosso chão
coitado deles inocentes
tudo pela guerra
tudo pela paz
corra jovem
corra rapaz
um lapso laranja
surgi no céu
alvo atingido
braço abertos
e espalhados
na terra molhada
do seu lado
uma possa vermelha
que brilha e chora
honrou sua nação
mas tudo, enfim
acabou, em vão
agora o pranto
se faz necessário
luzes que cessam
gritos de
descontentamento
mas ele não vai voltar
a vala aberta enfim
é tapada

famintos

como predadores
postos à presa,
somos nós, os famintos
postos à mesa

a impunidade
a gente traga,
sem ao menos
conhecer o ar
puro.

leve

Voar de peito aberto
como de pé no culme,
gritar contra o vento

saltar, um salto na busca
de um voo razante
que rasgue o mundo
que rasgue fundo

versinho da morte solitária

Chegou ao fim
do seu caminho,
cessou o ar
do passarinho,
viveu à par
do seu jeitinho,
sonhou? sei lá
em seu seu mundinho
morreu com paz
porém sozinho.

filosofia de uma alma

a lágrima é a condensação da alma
quando por tristeza, brutalmente é extraída
quando por alegria, voluntariamente se expõe
o cotidiano da vida, inconsequentemente
exerce uma influência na alma,
forçando uma reação imediata
ela por sua vez prefere o silêncio.
a frequência do corpo exige da alma,
uma malabarismo interno e uma concreta impulsão
para o não declinio do todo
seus deleites e prazeres que pra você são fúteis
e seus sonhos e desejos que pra você são inalcançaveis
são a impulsão para uma elevação da alma,
e para o seu amadurecimento.

da série poemas que o poeta entende,

sendo assim, eu topo

quero gente como eu,
pensando diferente
sendo divergente
buscando, independente
da forma de expor
demonstrar sua força,
seu vigor
no poder do verbo,
na força da palavra,

deumadois.blogspot.com

o poeta atípico

nas incertezas da vida,
na frieza das relações,
na omissão de fatos,
há nisso tudo uma poesia
encoberta e escondida.
mas o acaso,
escolhe em seu plantel
alguns que tem a função
de ser atípicos,
de extravagar o limite
da razão conceitual,
são eles: os poetas atípicos

e com sua percepção intocável
e sua visão ampla do real
consegue ver o escuro
e descrever de forma clara,
mesmo que seja incoerente,
toda a realidade encoberta
por uma sensação de falsa
paz, de falsa alegria.

o poeta atípico,
é sobremodo,
realista.

a morte

a felicidade constante de outrora,
manifestada pela intensidade do toque
pelo vivido entoar das palavras dispersas,
deu lugar a um luto cor da noite
deu lugar a ausência revestida de tristezas

a voz do mundo foi silenciada
o único ruído que ouço
é o cântico do pássaro da morte
é o cântico da alma expulsa

chorar, da visão derradeira
gritar, invocando sua volta,
tudo em vão.
sobre a dor, há o chão
e o corpo, pó
o sobre o pó nascerá,
inocentemente, um jardim
sendo que a rosa
mais virtuosa,
será da cor da vida
de quem suas raízes
sentiu tocar

não tenho nada a dizer

"Quem diz o nada ser ausência está enganado, pra mim o nada é a essência, a conglomeração, é o anular. É como o branco, não é a ausência de cores, mas é são todas elas juntas. O nada é complexo não simples, ele tem forma, sua forma não é contornada, afinal pra que contorno quando se pode ir além. É de dentro e de fora.
O nada é modernista ou até mesmo pós-modernista. Pra ele não há regras, leis ou constituições. Mesmo sabendo que serei incoerente vou ousar ao falar que o nada não é, pois não o que ser pra ele, não há características, não há limitações, não é e pronto.
Ele está por ai, ele é o por aí. Nele não há sentimento ou há todos eles juntos e amontoados numa sincronia mutua. Posso dizer que o nada,sobremodo, é tudo incumbido de uma ar de anarquismo, de uma ausência, de uma descaracterização. Não há nada sem o tudo e vice-versa. O nada é o clímax da junção, como a morte é o clímax da vida."

meu texto

o meu texo
quando se expõe
torna-se gente
e logo vira cão
vai devorando
minhas idéias
e se despindo
da roupagem
que o coloquei
fica nu e só
ele geme e grita
o leitor o escuta
e o trata com afeto
e o cativa a se expor
eu, de longe, o observo
e o leitor o coloca
uma coleira
logo, ele abana
seu rabo e late
como se dissese
- sou seu.
eu logo abaixo
minha fronte
e me ponho
a chorar
a morte fracionada
de mim mesmo.

avante

sempre avante!
não derrapante!
olho atrás a todo
instante / no anseio
incessante de ser um
imigrante /desse vasto
planeta distante

o amor veio

o amor veio a galope
pulo a pulo / bote a bote
me atingiu / como um golpe
Lança quente /fura a gente
fervente e inocente veio o
amor.

sobremesa

sobre a mesa a sobremesa
sob a mesa, sobre a mesa
surpresa! nada havia
sob a mesa / nada havia
sobre a mesa / não havia
nem a mesa / só restou
mesmo a sobremesa.

confuso até no título

sou um nato
apaixonado
vejo, amo
logo apaixono
o que tenho,
senão vago
vão de palco
chão,
sem palavras
pra falar me
ponho a clamar
como pode
ser amor
o que sinto
sem parar

música

banquinho e violão
calos no dedos,
suor na mão
toca meu caro balão
bossa nossa,
nossa bossa,
música cantada
canção musicada
de onde vem
tamanha inspiração
mãos ao ar,
pés ao chão,

na memória

sob o telhado
sujo, negro, com mato
mato seco,
seco o ar
lembro assim
como uma imagem
de momento, o
momento do
verbo, o primeiro,
o rebento,
nasceu aqui em um
muro de placa
chumbado de cimento
dele veio
de anexo
a paixão literária,
solitária, o amor
ao verbo, ao liberal
anormal

lindo é apaixonar
pelos textos, pela
língua
continuar a sincronia
do amor, do nosso
amor
texto meu, texto seu,
texto exposto,
texto fosco,
vamos juntos
com força
com grito
o som, silencioso
da voz uníssona da
alma solitária.

sou pó entregue ao acaso
quem dera fosse vaso
e espedaçasse pelo ar
ao menos assim,
teria motivo pra chorar.

fernão capelo gaivota

subiu ao céu
bem alto, o arauto
desceu ao fel
mas conseguiu o
perfeito salto.

reverso da natureza

é como:
fogo que queima
e arde,
água que afoga
sem piedade,

viagem

o vento vai trilhando a vontade de chegar,
a gente vai desligando da vida que ficou,
e ficamos atordoados, perplexos com tanta novidade.
tudo é tão lindo.
trecho a trecho
o paraíso vai se completando,
os olhos vão sendo guiados
pelo quadro de riscos verde do mato,
o cheiro de saudade vai misturando
como perfume esperado da surpresa.

meu Deus. é tanto chão pra cortar.
tanto mar de asfalto pra navegar.
o destino escolhido é perdido
para redescobrirmos o desconhecido.
o tempo vai se extendendo
e não quer mais passar,
acho que ele também
gostou da viagem

a espera

espero o tempo
que for necessário,
pra que meus sonhos
saiam do armário.

o menino

é como o menino
que a pipa empina
No céu sua cor,
ao longe, atina.
Na terra em suas
mãos o picolé
afina.
Pobre menino
que a pipa
empina. Não
sejas de alto
oposto a sua
sina.
Não digas
o que pensa
para aquela
menina.
Apenas prossiga
com a pipa que
no céu empina.

nove segundos

O Silêncio inconstante, cessa
quando um uníssono se rebela
através da chuva áurea
que cai e molha a terra
Uniformemente e sem distinção.

E com o silencio disperso.
Resta-me as lembrança e
seus significados oscilantes.
Ora estou feliz, ora triste.

E em uma desses oscilantes repentinos,
lembro-me de quando conheci a ti.
E como me despertara com seu
adocicado perfume e com seus passos altos.

Tinha jeito de noviça e se comporta como tal.
Era jubilante com seu vestido vinho.
Num golpe de destino entrelaçado na sorte
trocamos os primeiros verbos.

Lembro-me bem, tremia e olhava em seus olhos
em busca de segurança, porém não a encontrava
e continuava a tremer, receoso pelas palavras.
Então disse a mim mesmo, sou homem macho.
Tenho que criar coragem nessa margem.

Virei às costas, respirei bem fundo,
peguei seu braço pressionei com o meu
Olhei fundo nos seus olhos.
Te beijei bem forte e disse bem baixinho,
pra todo o seu mundo escutar :
- te amo!

livre

não danço sua dança
não canto sua canção
sou livre pra cômpor,
e pra expor minha
expressão

repentina dor

Quem sabe a dor,
repentina de todo ser.
Quem sabe a cegueira,
que atordoa e faz sofrer.
Poderia eu, sem fazer
menção ao mundo.
Dizer a quem vim sem rumo.
E no âmbito da paixão
direi que abro mão.
de eu e de mim, pra
ser seu até o fim.
Não me despreze em amor,
pra não retornar a repentina
dor.

Ghost

Quando eu nasci um anjo louco
desses que vivem na rua disse:
- Vai tião, ser solitário na vida.
Eu saltei de lado esfriei a espinha
Ele nem disse a que vinha, então
disse à ele: - Anjo sujo e moribundo!
Vai desgraçar outro mundo.
Ele meio sagaz, sorriu meio de lado
e com seu imbornal meio deformado
levantou-se meio desajeitado,
foi sem rumo a desgraçar outro coitado.
E continuei meu trajeto
solitário e amante quieto.
O anjo também continuou à andar
e outra vida à desgraçar

Vai menino de rua,
ser garoto de vida nua.
Vai menino do sinal,
ser pra alguns um ser banal.
Vai menino sem nome,
tenha fé, não tenha fome.

movimento

a gente é movido a sonhos,
com um moinho se move a vento.
somos uma alma
aprisionada no corpo.
se não houvesse tanta carne,
chegaríamos até o topo.
Meu Deus! pra que tanta carne
se tanto me priva?
pra que morrer,
se eu quero é vida?!

homens são imortais,
se quiserem ser.
o problema é que
a vida faz envelhecer.

crianças vivem sempre
eu seu mundo imaginário,
nos somos seres velhos
e pobre sedentários

o caminho da morte
é uma opção.
muitos o escolhem
outros não.

poesia de bailarina

apóie seus pés cansados, louvados no chão,
para parecer ser normal.
Na verdade a dança de seus movimentos
é a primeira etapa para alçar voo.
Como o preparo do rasante e majestoso
voo dos ventos, dos sonhos e dos pássaros.

baila, baila, bailarina,
com seus giros de princesa
e seu olhar de menina.

Coloque sobre seus dedos suados, machucados,
na esperança do ritmo preciso e do ato perfeito.
Exibe submerso no pó de gesso
todo seu gingado de donzela, que colore nosso olhar.

samba, samba, bailarina
com seu molejo de moleca
e seu vibrar de menina

Vai! Segura firme, não enfraqueça.
Lembra do par e sê forte, sê rocha!
Firme. Ser lítico precisa ser.

Canta, canta, bailarina
com sua voz macia, Maria
e o suspirar de menina

Vai no Jazz dos seus pés.
Pra que regra de compasso?
Vai na maneira da vida,
No levar do vento.

Voa, voa, Bailarina
com as asas nos pés
ziguezagueando,
como menina.

moço, também tenho sonhos

Acordei hoje, meu amor
com estrelas nos olhos,
com flores nos lábios
e com paz à volta.

Olhei pra ti, paixão
e estava com face intensa
adornada por um brilho,
que era só seu.

Toquei um lado do seu rosto
a face direita, me lembro bem.
Toquei com receio
era singelo e puro.

Doce e macio, me lembro
como se fosse real.
Era bom, era lindo.
Passamos auroras juntos.

Do toque sutil e leve,
segurei seus negros cabelos
puxei seu rosto pra mim.
Foi lindo, foi bom.

Passamos um tempo juntos.

Seu rosto toquei no meu.
Macio e quente era.
Seus lábios contemplei,
bem de perto. Criei coragem.

Como mel, seus lábios.
Como meu, queria tê-los.
Num golpe de destino e tempo,
Toquei eles com o toque dos meus.

Passamos um verão nosso juntos.

Durou o tempo preciso.
Segurei sua mão.
Passei meus receios
pro nó da dança dos nossos dedos.

Receios, medos e problemas,
passamos juntos, unidos.
Minha amada e seu mel viciante.
Que dure um eterno instante.

Quero ser seu,
Quere seu mel,
Ver juntos o céu,
particular.

não apenas um ou outro,
mas um par.
pra ficar à par de tudo
isso.

faces da morte

Muitos morrem de fome
Muitos morrem com fome
Muitos morrem sem fome
Muitos morrem,
Muitos morrem,

Muitos morrem de sede,
Muitos morrem com sede,
Muitos morrem sem sede,
Muitos morrem,
Poucos sobrevivem,

Muitos morrem de solidão,
Muitos morrem com solidão,
Muitos morrem sem solidão,
Poucos sobrevivem,
Raros, muitos raros
vivem

Vida, eu quero é vida.
Sei que a morte, anda forte,
Mas nós temos uma saída.
A vida, e pra ela não há
despedida.

essa são as fortes da morte,
as faces da vida são
as proporção inversas da anterior.

depois das 5:30

Dia calma de verão,
pessoas nas ruas,
as ruas no chão,
o chão nele mesmo.

A espera impaciente.
Um desejo por não ser
hoje.
Tremulo por que?
Não sou assassino.
Na verdade sou sim.
Estou assassinando
a mim mesmo,
o ser virtual.

Por que a diferença.?
Pensei ser fácil,
mas não era assim.

De repente de longe
um vulto lilás.
Uma espécie de anjo,
O anjo tão esperado,
O anjo tão amado,
Um anjo tímido.
Era como um colírio
como um calmante
e como um veneno.
Sentia oscilações
de sentimentos.
E agora como me
comportaria?

Foi assim
um abraço frouxo.
Mas um toque na pele.
Um sentir do calor alheio.
Foi bom, embora rápido.
Mas pra quem esta oscilante,
o tempo tem que ser rápido.

Qual a próxima etapa
sentar, pra descansar
da dor de ficar de pé
e tremer todo o corpo.

Que tal um banco público,
defronte uma avenida,
onde muitos passam
sem perceber o amor ali.

Estranho não havia beijos,
Estranho não havia abraços.
Restrição penso eu.
Ou será medo de estragar tudo?
Ou será tudo?

Minutos como horas.
Segundos como semanas.
Assuntos vagos, mas necessários.
Assuntos úteis, mas desnecessários.
Nenhuma ousadia de ambos.
Retalhos de uma última lição.
O rebento pros dois, o primeiro
Não podia ser tão espontâneo mesmo.

Um presente guardado com ardor
Uma leitura rápida pra captar
o dia e aquele momento, tão
rápido e marcante pra mim.

Não sei se tudo continuará como era.
Mas acho que não, tudo muda agora.
Mas não quero me amedrontar
e dizer que não tentei.
Fui guerreiro, falei o que devia.
Falei o que não queria.
Disse pouco do que tanto
te falo no verbo.
Mas fui assim, até o fim.

No final de tudo,
um beijo no rosto de mel,
com a leveza e a delicadeza
de uma cacho negro de cabelo.
Um dizer convicto
te amo.
isso foi o ápice da tarde.
o resto foi cotidiano.

foi o melhor momento da
minha curta e rara vida.
Espero que se repita,
mesmo que seja estranho
mesmo que seja anormal
mesmo que seja doido,

Um filme quem sabe.
Um sorvete pode ser.
algo assim pra esquecer
o silêncio e distrair o tempo.
Não toquei suas mãos,
tolo que sou.
Mas amor, saiba que
quero muito fazer tudo isso.
Mas não sou tão forte,
afinal uma rainha
deve ser tratada com
apreço por seu plebeu.

meu dia de ontem

foi e fui assim, um dia inteiro.
de emoções e sarcasmos.
à perdas e encontros.
fomos, nós, sem ela,
pra um lugar ido,
mas desconhecido.
fomos como diz a canção.
seguimos o vento e as opiniões,
sendo que o vento
era a melhor escolha, sempre.
um dia de contrastes,
de um cinza melancólico
e dopado de tristeza
à um ambiente
de cores refrigeradas
por um ar constante
e glacial.
Erámos nós como
agulhas no palheiro.
e esse palheiro era
tão bom, que não
queríamos que se
queimasse nunca.
As agulhas andavam
de um lado pro outro
de do outro pro lado.
mas algo me lembrava
no interior de mim mesmo
do interior de todos nós.
Momentos de pensar,
mas num palheiro,
o pensamento tem que
ser rápido e conciso.
Bom a minha agulha menina
era tão linda, embora tão distante,
sentia falta dela.
seu abraço frouxo de outrora
fazia tanta falta em meio
a empurrões e encontros
impessoais.
povo frio, sem calor
sem vigor e sem querer.
eu era tão feliz com ela
e era feliz ali, mas precisa
de algo mais humano
e mais tocante.
foi legal saímos do palheiro
perdidos a um sentido oposto.
perdidos a momento em um sentido certo.

eu perdido em pensamentos
por ela. e pelo que ela é pra mim.
foi assim meu dia de ontem.

rotina

Quase oito,
abro os olhos,
um a um.
Vejo em uma
luz que me
informa o tempo.
prefiro acreditar
que tenho mais tempo.
volto pra cama,
vejo novamente a luz
e me apresso
afinal não há
mais tempo.

do Haiti

O céu de poeira surgiu.
De um jeito inverso.
Veio um abalo,
meio sem rumo.
Pegou inesperado
de mendigos à
presidentes.
Quem apagou
a luz da sobriedade?
Por que ouço gritos?
Veio a baixo o teto
aparentemente era
imortal, imóvel, eterno.
Tudo no chão,
culpa do chão.
Catástrofe! Maldição!
Ao longe nos montes
tudo submerso
por um onda maligna,
de espumas negras
e inóspitas de poeira.
Na planície corpos
presos pelas algas de
ferro fundido
e concreto armado.
Todos à espera
de pescadores
de almas e corpos.
Quando virão?
Ouço gritos!
De onde vem?
Não sei nadar
vou tentar, também
gritar!

poema vivido

Parte I - aurora


Numa época árida,
mergulhado em um mar vasto,
entre problemas estendidos
e soluções adiadas.
Estava, eu, o náufrago,
a compor este poema.
Tempos oscilantes de
um vida complexa e de
um mundo em caos.
Tremores físicos se chocam
aos tremores permanentes
da desigualdade mundial
e do poder compulsivo.
Eu também sofria com eles
e com um próprio tremor,
o de abalos sentimentais
em estruturas de identidade.
Havia eu, um jovem,
perdido um pouco a ficção
de outrora.
Era, agora, mais realista e sensato
Embora, mais melancólico e frio.
Sentia falta da fantasia,
porém, me acostumara com
o comum rígido humano.
A rotina que eu enxertava
com surpresas, perdeu o brilho
e tornou monotonia,
pena tenho disso e de mim mesmo.
Um coisa que permaneceu
não inabalável foi a esperança
e a convicção de fé.
Pra que tudo de outrora retorne
conservando o bem de agora.

infortunado

Profundos e aflitos olhos,
rosto melancólico,
um latido fraco
falando do perigo,
mas sem força pra lutar.
Corre com seu pêlo
marcado pela dores da vida,
pela derrota da disputa
que nem queria entrar.
Pobre dele, ninguém o vê.
Jogado pelos lados.
Até se aventura a brincar,
mas com quem?
a noite chega...
sua solidão agrava
seu choro transpõe e ele lati,
bem baixo pra não chamar o perigo.
Ninguém o ouve.
Vira a noite, vira a lata,
vira tudo, vira nada,
não há amigos, não há consolo.
Mas ele ainda,
faz do latido, poesia.
faz do seu pêlo, proteção.
faz de si mesmo, um amigo.
E ele, o infortunado cão,
vive pata a pata chão a chão.

poeta autodidata

Represento por esse manifesto,
uma forma de dizer a que vim.
Bom, caro leitor desse aglomerado
de versos e ritmos que tanto me faz feliz,
quero lhe expressar, sem receios,
o que sinto na harmonia poética
anexa a tudo e a todos
numa frenética sincronia de
ações, movimentos e reações.
Sei que, indevidamente,
relato nos meus escritos,
alguém que passa sem deixar traços
pra maioria sonolenta. Eles não percebem
o valor poético de cada um,
porém a vida ensina que extrair disso um verso,
traz um marca extensa pra vida toda.
Sei que a complexidade de uma inspiração,
vai além do que digo, porém, meio que
de soslaio intelectual faço desse achado
uma forma de me firmar como um
telespectador da vida e um aprendiz eterno.
Mestres existem com seus papeis
rabiscados de dedicação ou com ações poéticas sem tinta.
Esses mestres, embora desconhecidos,
fazem de mim um aspirante a tal ato.
Sei que nem chego aos pés de tais
ou mesmo de desatar as sandálias
de alguns.
Embora uns sejam mestres, não são dignos
de tamanha relevância e humilhação,
porém outros exigem um fator de extremo
agradecimento e uma eterna gratidão.
Logo me vejo refletir em seus pôsteres gigantes
meu retrato três por quatro.
Quem sabe eu, em um dia de uma estação qualquer,
seja um porta retrato de tamanho maior,
e de um simplicidade a tocar o mundo com verbos.
Quero caminhar. E se sofrer, serei como o infortunado cão,
sempre atento e sempre amante da vida,
e se me alegrar, vou me encontrar depois das 5:30
com o amor eternizado no verbo que criei.
Quero ter fé, fé na vida, na verdade,
no caminho, nas veredas, nos desertos,
em mim mesmo, em Deus.

sendo assim agradeço
seu tempo.

maldito que as vezes sou

recebeu de um desconhecido
uma pancada dessas bem fortes,
pequena fisicamente mas
forte em vontade,
não suportou a dor do choque.
Ficou a tentar sair da angústia,
de uma chaga não prevista.
Seus pensamentos foram abalados
com o impacto físico inesperado.
Logo pôs-se a circular em volta
de si, em volta da amnésia.
Suas patas doidas tentavam
encontrar força na esperança,
porém, o cérebro não resistirá
a forte convicção da razão.
Foi seguindo numa imensidão branca,
como um chão congelado
ora em linha reta, num lapso de sensatez
ora em círculo, como um reflexo da desgraça
ora sobre seu corpo sem peso, como uma resposta epilética.

Foi e perdeu-se de vista.
Embora eu ainda insista,
em ser o desconhecido.

Poema vivido

II - Decreto amargo

Uma notícia chegou.
Num relapso acordei.
Estava lá um recado digital.
Peguei logo e li,
madrugada ainda.
Acordei me pus de joelho.
Falei com Deus, pedi ajuda.
Voltei a dormir,
nenhuma notícia nova,
preocupações buliam
minha mente.
Me peguei fraco a olhar
sua foto tão bonita,
seu olhar tão distante.
Agora um decreto baixou
sobre esse amor.
Um pedido invertido,
algo como: não ame mais,
esquece é rebento ainda.
Mas quem disse que amor
tem idade. Já era bem velho.
E já amara muito quando
ainda era novo.
E quem disse que amor
era fase, estava solitário.
O amor não tem tempo,
O amor não tem fase.
Paixão sim.Pode ter.
Mas amor, não.
Amor como um vínculo de perfeição,
um sentimento, um ato,
uma ação, algo descontrolado,
algo de vem de dentro,
uma espécie de anestesia
pra suportar a camuflagem barata
que o mundo chama de alegria.
O decreto vigorava
quando recebi novas noticias.
Me notificaram de tal lei.
Não tive reação. Como reagir?
Se nunca havia passado por isso.
Criei uma reação pra expressar tudo aquilo.
Senti medo.
Medo de ficar sem amor.
Mas logo calculei, pesei, equilibrei.
Amor nunca acaba já disse as escrituras.
Então, pra quê medo?
Troquei a reação.
Sentia esperança.
Pra que tudo desse certo.
Mas logo pensei claro que vai da certo.
Tudo crê, tudo suporta, repetiu
meu intelecto embasado no decreto puro.
Troquei a reação.
Tive tristeza.
Por saber que era difícil agüentar.
E logo me veio um consolo:
um trabalho bem feito.
Mas o amor proibido sempre
remexia minha mente.
Orei novamente, pedi novamente.
Agradeci dessa vez, sabendo que Ele iria resolver.
E vai. Troquei a reação.
Confiança, Convicção, Fé.
Esses não foram mais trocados,
permanecem sem esmorecer.
Desnecessário o decreto.
Onze meses de amadurecimento,
tudo bem encaminhado, uma raiz nascida
de uma semente pura, uma semente cuidada.
Todo o cuidado, pra saber que não posso
mais regrar o meu jardim.
Mas Deus mandará chuva.
E logo quando voltar a seca
estarei lá com o Habeas Corpus eterno
pronto pra regrar minha flor.

vestígios de um tempo

Um estado de angústia,
Um sentido de estagnação total.
Uma perca de cor,
Um momento cor âmbar,
Uma vida acinzentada.
Uma preguiça desumana,
Que pra compor esse verso
guerreei com minha complexa
convicção.

compassos largos

Um clarão diferente
sobreveio minha vida.
Um lapso de metamorfose;
algo como uma quebra.
Ou mesmo um estrondo.
De um vendaval sobrecarregado
de condições e critérios
veio um vazio doentio,
um pensamento indiferente.
Mutável me tornei.
Uma fumaça de vozes,
que dizem tudo para eles mesmos
mas não dizem nada para mim,
me atormenta e me pressiona.
Insano, insensato, insolúvel,
esse pensamento me dominava
Meu ser foi sendo acobertado
pela fantasia do comum.
Mas logo me sobreveio
a remanescente esperança
de paz e gozo.

virei um defensor
de causas próprias.
um pensador
pelo bem comum.
um egoísta relaxado,
um comunista da vida.

culto à velhice

depois de caminhar
na extensa e intensa vida,
estava ele olhando
tudo de cima pra baixo.
Sinal de referência ao tempo,
e de atenção aos detalhes.

Ao longe vestígios de tristeza
de perto certeza de vigor milenar

Nas mãos sacolas com pães
sem nenhuma história,
e dedos castigados
com a enxada na terra
com o suor no rosto

Seus pensamentos outrora
tão vagantes, agora se focam
no badalar pesado dos sinos
no silêncio desesperador dos ponteiros

Pensou tanto na morte
que se acostumou com ela.
Era uma certeza
que ele queria questionar.
Mas não podia.

A solidão era barrada
com o som dos pássaros
com o balançar dos ventos
Esses tais que nós,
iniciantes da vida,
nem vemos atuar

as vezes a verdade dói.

Realidade. Discurtir filosofia, o cosmo, enquanto muito morrem sem ter o que discutir. Morrem calados, morrem atados com as cordas do NOSSO descaso. E muitos irão ler isso, e ficaram chocados, mas ninguém vive de dó e sim de pão e ação. Voltar a rotina sem refletir sobre isso, vai ser a reação da maioria. Rir de uma piada, tomar um sorvete ... Mas os nossos irmãos morrem sozinhos, afinal o egoísmo humano quer uma vida individual. E o abutre da vida, espera a sua comida, não porque ele é satânico ou cruel mas porque NÓS os entregamos a morte. Deus não aceita esse holocausto.

um cosmopolitano atrapalhado

Tanto tempo refletido em sensações de amor e de compreensão
de muitos sorrisos compactados em pequenas porções de versos
de pensamentos cor de paixão, dizeres com tons de amor eterno.
havia uma espera banhada com um choro solto,
mas logo tudo foi convertido numa certeza honesta
e numa ligação com o Supremo, dando fôlego aos mergulhadores
do vasto amor dos abraços

foram dois mundos convergindo num mesmo cosmo
e circulando o grande e eterno Sol.
uma sincronia não física, uma vibração
que transpunha pedidos mútuos e comuns
sem barreiras, sem medos.

o longo e insaciável desejo de estar perto,
alguns olhares presenciais, outras vezes, um abraço.
e um beijo eterno rondava meus lábios,
uma eternidade vinda pelo amor crucificado,
veio certificando da certeza do que sinto,
uma pureza interna e um sorriso que alivia os incautos da vida.

és da cor humana, da aquarela mundana,
mas transmite ao meu olhar poético uma tonalidade inexistente
uma mistura de milagre e de repostas as clemências.
Orações de pedidos, de desesperos desnecessários,
à um Deus atento que nunca dormi e uma reposta num tempo áureo.
Tanto clamei, que logo me silenciei
mesmo pensando que não agüentaria tanta solidão.
mas a chuva torrente se converteu em frescor,
a seca em um campo cheio de verde, cheio de vida
e minha solidão, tão eterna aos meus olhos,
se converteu em uma companhia, uma amiga.
Minha reposta é como um sol brilhante,
como um nuvem carregada de coisas boas.
e assim meu pequeno planeta, ínfimo perante a galáxia de Deus,
foi sugado pela explosão do amor
fui mudado, fui fundido
isso é ínfimo, eu sei, e tudo isso é vaidade,
mas é intenso, é real.

pessoa

Por fora um sorriso alavancado,
por dentro um semblante arriado.
e vice-versa.

apatia incômoda

e quando a apatia vier
se esconda nas lembranças
vislumbre com os olhos da fé.
afinal o futuro próximo é incerto
mas a esperança é doce.

o homem e o duto

O que vejo são dutos. Dutos tapados.
Impregnados de cimento da ilusão e
Revertidos de uma falsa decoração inconsequente.

De um lado um homem mórbido e de pé,
semelhante as suas esperanças.
Homem de senso, mas visto como sem sentido.

Vejam seu olhar fito na entrada.
No que será que pensa?
Há ainda chances de não converter
seu momento diante do duto em banalidades,
como fez com tantos planos que fizera.

Resta tempo, falta coragem,
sobre-lhe muitos pensamentos.

Do outro lado o que se tem
é um vago, um nada, uma escuridão.
Imaginações e sonhos só ousam
habitar ali quando são orientados
pela lógica ou pela realidade.

E a cima da visão do homem e do duto
há uma fé sem condições tão clamada
a qual permanece estática, apenas
traduzindo choro e tristeza
em contentamento e ânsia
por verões mais contentes.

percurso afável

quando lhe vierem versos em mente
não tarde ou atrase em escrevê-los
eles fogem como águas nas mãos
são rebeldes e libertários

luto com os meus,
mas eles sempre me levam
a um patamar além daqui
me transportam para novos mundos

onde a saudade é inspiração
onde a solidão não existe
onde o sofrimento não atina
no complexo e indescritível
reino das palavras

alma musical

já nascemos com música
entalhada visceralmente
bem no cerne, bem na alma.
soa no ar alguma melodia
os pés palpitam,
as mãos balançam,
as orelhas arrebitam.
ouça o compasso já decorado
acompanhe o ritmo decifrado
um dois, dois um,
dois um, um dois
tantas ondas, tantos tons
só resta emitir do peito
comparar a balada e inalar
o íntimo da canção.

resoluções inconcretas

resolvi pensar nas coisas distintamente
colhendo o mal de cada dia,
gozando o bem de cada benção.
dividir os pensamentos por momentos
não apresar, não surtar
ser ameno brando suave.

viver o presente e - se possível-
estar presente.
resolvi segurar a bandeira
levar a canseira
e seguir te amando.
mesmo que a opacidade
mantenha minha visão fraca
sei que no final
entoarei mais alto que
o grito da solidão

que prensar em ti
transcenda a distinção.

ensaio sobre a saudade

Lutar contra o tempo era a única saída. Tentar se culpar era o que mais fazia. Tratava-se como se o tempo fosse escutar suas inquietações. Mau humor, estranheza frequente. Mas aos poucos toda sensatez ia retomando seu posto, como um soldado em ensaio militar. Hospedava na memória retalhos e vestígios de encontros fragmentados por doses de interferência e lapsos de confiança. O hospede o atentava - não atentado de terror e sim atentado de doçura e descanso -. O atentado doce como mel era também parasita e viajante. Saia e se alojava no esquecimento. De lá com frequência partia rumo à lembrança, porém, permanecia pouco tempo. Tentava transformar o mutável em constante. Seus sentimentos borbulhavam como água em chamas. Seus olhos pediam a face daquela que o aproximou das virtudes da paixão e o distanciou dos legados de ser só. Sua boca ainda esperava um toque de leveza e pureza dessa que era como uma extensão de si mesmo. O desejo era tão ávido e forte, tão claro que se assemelhava a rajadas de luz soltas de um farol velho e descontrolado. Era forte, embora seus anseios o impactassem como um tanque de guerra em intenso guerrear. Feliz era sim, porém, a probabilidade de ter um melhor momento o trazia a tristeza. Tristeza de um espaço não preenchido ou uma vaga mal posta. Uma dose de calor ou uma pitada de presença seria a gratificação das lapadas súbitas do tempo. Eram açoites de saudade. Eram desgastes da vontade. Quase impenetrável, a barreira do tempo, do espaço, da saudade e da vontade que impedia o jorrar da paixão. Mas, felizmente, prevalecia o simples amor, que não é vulnerável, nem estagnado. Concluiu novamente que a esperança invariável, a fé inabalável e o amor inexplicável eram indestrutíveis e dentre todos esses o amor é soberano.

rabiscando

meus versos não são tão apreciáveis.
não possuem os sabores dos gênios, nem
não são tateados com os dedos divinos.
são rotineiros, mas sem a magia verbal
ora extensos, como uma volta à terra,
ora curtos, como o percurso dos segundos.
às vezes, vejo-me em meus escritos
em outras ocasiões repudio-os.
inevitavelmente criei um vínculo
com meus poemas.
uma intimidade transcendente ao normal
uma relação própria de
guerra e paz
pranto e gargalhadas.

haikai saudoso

o barco com a saudade partiu
e não deixou saudades, pois,
ela estava a bordo.

opróbrio do passado fresco - parte 1

Pra mim foi complicado ‘tentar’ me criticar - no sentido mais penoso da palavra - e concluir que tudo que fiz foi não ter força ou coragem pra agir. Não uma ação utópica, radical, mas apenas uma ação coerente com aquilo o que disse, ou no caso do texto, com o que escrevi. Desde já lhe peço desculpas pelo que venho escrevendo, não pelos poemas – poemas são pessoais e, pra mim não tem peso político ou revolucionário, unicamente são coisas que desejo escrever, algo visceral -, e sim por todos os textos com peso esperançoso em mudanças pessoais ou universais. Fui covarde, em todos os sentidos, comigo mesmo e conseqüentemente com quem leu. E quero agora tentar reaver o tempo perdido ou talvez acrescentar alguns minutos nesse tempo.
As palavras aceitam tudo. De vômitos verbais a ignomínias literais. Não que haja problema em escrever ou expor algo. A meu ver, constitui um problema quando insultamos o sentido real das coisas e criamos textos de protesto totalmente ficcionais, nada tendo de verdade e sim tudo tendo daquilo que pensamos ser o melhor, o correto. Afinal de contas para cada gênero literário há um padrão invisível estipulado para caracterizá-lo. O problema é que esses padrões de orientação se perdem em meio a tantas confusões. Exemplo: a Ficção vem demonstrar algo meramente irreal em seu tempo, buscando uma viagem para um lugar criado, desenvolvido e propositalmente escrito, já o conto relata algo do cotidiano trazendo detalhes que prende o leitor para acompanhar o desfecho e reagir de alguma maneira. E os textos de protesto, de indignação, de insatisfação, tão presentes na blogosfera, pra que servem? Essa é uma pergunta que deveria estar nos pensamentos daqueles que fazem como eu. E a resposta é simples, basta entender o verbo que classifica esse gênero: protesto.
Pra que eu escrevo e exponho protestos? Eu posso te listar várias desculpas que eu iria dar tentando dizer que é uma razão, mas já adianto, não é. A primeira que é necessário desenvolver meu método de escrita, preciso disso, gosto disso. Bom, mas para fazer isso não é necessário encobrir o texto com valores morais às vezes desconhecidos ou mesmo, tentar mostrar que o mundo é sem ética e somos do mundo. Certo, disso podemos tirar uma conclusão lógica, eu também sou sem ética. E pra que serviu meu treino? Pra admitir, inconscientemente, que tudo que fiz não passou de tempo perdido, de um abraço no vento.
Talvez esteja pensando: “Que idiota falar disso”, ai te digo com prazer: “Hora alguma de forcei a ler”. A partir dessa frase continue quem tiver vontade, quem não quiser que vá ler outras coisas, o importante é ler, pois talvez você chegue a pensar no que eu penso: que as letras expostas possuem força, poder, mágica e graça, e não foram criadas para serem despejadas como forma de alimentar nosso ego. Não que isso seja uma verdade incondicional, é apenas o que penso. Pra quem continua meus sinceros pêsames, afinal não vai ser fácil entender meu monólogo.
Outra desculpa é que talvez se tivesse poder faria desse mundo um lugar melhor. Meros sonhos. Já me entristeço por tocar sua caixa de ultra-realidade. “Sem sonhos a vida é sem graça”. Bravo e que bom que chegamos até aqui. Sonhar, isso é bom não acha? Ou melhor, é uma das virtudes humanas. Porém os sonhos devem ser mensuráveis ou tentados, abusados, incitados, senão se tornam parte de um passado esquecido, afinal a memória é volátil.
Protestar, apenas, em texto é como gritar em silencio. Agir sem base, rumo ou crença é como atirar vendado. Há uma intensa ligação entre a ação protestante e a teoria de protesto. Corrigindo, deveria ter. O que vemos são intensas maiorias vendo um mundo de uma ótica fosca e tentando descrevê-lo com o máximo de sensacionalismo buscando impressionar e encher os olhos do leitor. Talvez eu faça isso e quero não fazer. Há uma legião de leigos acompanhando as pessoas e suas relações para compor antologias sociais em seus impecáveis blogs. Talvez você seja um conhecedor dessas relações e tente explicá-las, nesse caso desconsidere o que falo. Falo mesmo é pra mim que sou ignorante, de um modo geral. Termos como, dar murro em ponta de faca, fazer castelo de arreia na maré alta, seja uma boa ilustração para tudo isso. Pura futilidade. Talvez suas palavras me toquem e não tocam você. Perca de tempo mais uma vez. Isso que hoje tanto te indigna foi o estopim para muitas revoluções, não apenas teóricas, mas, sobretudo práticas.
Não discordo de pensar que é mais fácil criticar meu colega do que pensar que eu sou meramente mais um desses. Não que eles sejam diabólicos. Mas se isso tanto me atinge, a ponto de protestar ao mundo, por que não faço algo? Por que não me mexo? Seria para ter o que criticar amanhã? Ou pra fazer de mim um semideus e deles, meus criticados, meros seres humanos? Você tem pré-conceitos quando escreve e quando vive se cala. Palavra sem voz é palavra perdida. E essa voz da frase anterior não é apenas sonora e sim algo que impulsiona o cumprimento do comprometimento solene, do protesto feito. Descontente comigo mesmo. Talvez um dia – por mais lúdico que pareça – alguns prefiram andar pelas ruas de cabeça erguida e braço estendido, do que caminhar cabisbaixo em busca de mazelas humanas. Não preciso analisar a sociedade para me revoltar, basta apenas me observar. E se o mundo é assim a culpa é minha.

raros encontros de sol e ar

Quando sua face esquerda
deitou no meu ombro direito,
meu coração, de ambos os lados, lhe dei.

Quando sua mão esquerda
entrelaçou com minha mão direita,
minha paixão, em ebulição, lhe mostrei.

Seu toque meigo
encontra a metade do meu eu,
fundo, dentro de mim.

já não precisamos de muitas palavras,
apenas olhares sinceros e ocasionais
para viajarmos para nosso mundo.

ironicamente irmãos

Jovens dançavam no ônibus em movimento.
Logo a frente via-se uma ponte.
Ponte sobre trilhos do trem.
De onde vinha aquela máquina?
E para onde iria o veículo
cheio de sonhos e sonos?
O ônibus seguia o planejamento,
soltava uma linha invisível
de combustão finada.
Dentro dele vários pensamentos sem vínculo.
Juventude transviada e viciada.
Na margem daquela ponte
de concreto forte, como o orgulho,
um jovem admirava o brilho
metálico dos trilhos. Em sua mente
uma antiga convicção de morte.
Queria terminar com seus sonhos
e não tinha esperança pós morte.
Queria ser análogo aos cães.
Sofreu e deu amor,
mas não quiseram o amar,
preferiram o ver se entregar
a miséria sentimental.
Onde estão os valores? Pensava.
E de tanto pensar chegou
convicto à idéia de finados.
Estava lá imóvel a espera da hora certa.
Seu coração não queria mais sentir,
apenas pulsar em seu ritmo acelerado.
Olhou em volta sentiu na pele
o vento veloz trazido pelo ônibus
cortando-o como uma navalha de gelo,
mas, sem o coração pra sentir
não sofria o impacto, apenas imaginava.
Os risos escandalosos dos jovens
dentro do ônibus, o impulsionaram ao precipício.
Restou frases na cabeça partida sobre os trilhos,
palavras escorriam como sangue.
Dizia assim a desgraça expostas:
Como não se compadeceram de mim?
Eu aqui sofrendo, posto ao fim
Já eles apenas preocupados com o tempo,
a velocidade e a quantidade de álcool
que ainda dispunham.
Mesmo assim pai, eu os considero irmãos.

cappuccino

o calor chegou
espalhou-se.
gradativamente foi
colorindo cenários tão belos.
como se fosse uma cortina a se abrir,
ou melhor, a se desfazer e,
subitamente, sumir.

ficou, rodeado, como
um painel cinematográfico
com frases absolutas.
aos poucos o calor cessava
e o marrom-saudade
voltava se mantendo.

trouxe lembranças agradáveis.
memórias tão gostosas.
o peito sentiu uma vontade.
os olhos sentiram também.
as mãos logo esfriaram,
queriam ser aquecidas
pelo calor de querer bem.

missão

foi caminhando, 

com os pés calçados. 

por pouco tempo. 

a sola logo desfaleceria. 

 

ouviu bilhões de vozes. 

entre atender a cada um 

escolheu atender a todos. 

 

sentiam o calor da areia 

em seus pés descalços, 

em seus joelhos no chão. 

 

dia, tarde, noite. 

oração e tentação. 

 

o frio acompanhava-o. 

maltrapilho, malvestido. 

bilhões de pedras 

prontas para lhe apedrejar. 

 

ele foi a meu encontro, 

e estendeu os braços 

em forma de uma cruz. 

 

pediu perdão por nós. 

virou sua face e morreu. 

 

eu o matei. 

morreu por mim.