sonhos em conserva.
esperando a realidade ácida
a consumir, pouco a pouco.
minha casca dura
mantinha todos os desejos seguros:
intactos, imutáveis.
pensei que duraria para sempre.
mas a salga começou.
senti de todos os lados.
como uma maresia interna,
os desejos foram sendo corroídos.
já estava vulnerável.
todas as agruras e amarguras
foram decantando.
minha textura mudou,
minha cor,
e mais ainda o meu sabor.
hoje sou eu, não o mesmo.
mas os sonhos não morreram
só mudaram de gosto.
ainda os conservo,
com uma intensidade diferente.
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