nau

diante do azul chumbo do mar revolto,

vejo a luz oscilar em algum farol à leste.

sigo trocando os pés, não pelas mãos,

pela mente, pelo coração.


sinto muito em não sentir nada.

às vezes, minha fé é como areia nas mãos.


escorre, some.


sinto como aquela antiga sensação de um membro fantasma.

sinto-o, mesmo que nunca mais o tenha.


é pesada, a dor de querer crer e não conseguir.

parece que tudo é um vazio sem fundo,

é um correr atrás do vento.


parcos momentos onde estou por inteiro.


quase sempre me sinto como um membro ausente,

há tempos escorrendo, sumindo,

mas espero que deixe saudade. 

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