processo

naquele dia
nasceu nas minhas costas
um galho retorcido.

discreto,
foi crescendo
até se exibir.

vozes de todos os lados
me aconselhavam,
especialistas em quase tudo.

ouvi também quem entendia:
dê de ombros,
vai diminuir
e cair sem sequelas.

ouvi com alívio.

mas logo outras vozes
me cegaram.

tentei serrote,
me cortei.
tentei lixa grossa,
me arranhei.

fiquei marcado
e com o galho,
agora vistoso,
florido.

tentei removê-lo,
mas só me feria.

até que um dia,
cansado e entregue,
senti a cabeça leve.

olhei ao lado:
lá estava ele,
caído.

o peito aliviado,
a cabeça latejando,
marcado por tentar
apressar a queda.



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