singular cotidiano

certa vez um mestre me disse:
tudo, incluindo o nada,
cabe numa tampa de caneta.

desde então
carrego um buraco negro no peito
que me puxa para o centro de mim mesmo.

ao contemplá-lo, fico lento, quase estático,
mas logo expele de mim
a mesma força que me arrasta
ao cotidiano.

e amanhã, tudo de novo.

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