culto à velhice

depois de caminhar
na extensa e intensa vida,
estava ele olhando
tudo de cima pra baixo.
Sinal de referência ao tempo,
e de atenção aos detalhes.

Ao longe vestígios de tristeza
de perto certeza de vigor milenar

Nas mãos sacolas com pães
sem nenhuma história,
e dedos castigados
com a enxada na terra
com o suor no rosto

Seus pensamentos outrora
tão vagantes, agora se focam
no badalar pesado dos sinos
no silêncio desesperador dos ponteiros

Pensou tanto na morte
que se acostumou com ela.
Era uma certeza
que ele queria questionar.
Mas não podia.

A solidão era barrada
com o som dos pássaros
com o balançar dos ventos
Esses tais que nós,
iniciantes da vida,
nem vemos atuar

3 comentários:

Patrícia Azevedo disse...

UAU! excelente! *-*
gostei muito, parabéns!

SUSANA disse...

Lindo! Que intenso!

Mel Almeida disse...

Belo poema...
Você vai longe, posso apostar!
Bom fim de semana!
;***