depois das 5:30

Dia calma de verão,
pessoas nas ruas,
as ruas no chão,
o chão nele mesmo.

A espera impaciente.
Um desejo por não ser
hoje.
Tremulo por que?
Não sou assassino.
Na verdade sou sim.
Estou assassinando
a mim mesmo,
o ser virtual.

Por que a diferença.?
Pensei ser fácil,
mas não era assim.

De repente de longe
um vulto lilás.
Uma espécie de anjo,
O anjo tão esperado,
O anjo tão amado,
Um anjo tímido.
Era como um colírio
como um calmante
e como um veneno.
Sentia oscilações
de sentimentos.
E agora como me
comportaria?

Foi assim
um abraço frouxo.
Mas um toque na pele.
Um sentir do calor alheio.
Foi bom, embora rápido.
Mas pra quem esta oscilante,
o tempo tem que ser rápido.

Qual a próxima etapa
sentar, pra descansar
da dor de ficar de pé
e tremer todo o corpo.

Que tal um banco público,
defronte uma avenida,
onde muitos passam
sem perceber o amor ali.

Estranho não havia beijos,
Estranho não havia abraços.
Restrição penso eu.
Ou será medo de estragar tudo?
Ou será tudo?

Minutos como horas.
Segundos como semanas.
Assuntos vagos, mas necessários.
Assuntos úteis, mas desnecessários.
Nenhuma ousadia de ambos.
Retalhos de uma última lição.
O rebento pros dois, o primeiro
Não podia ser tão espontâneo mesmo.

Um presente guardado com ardor
Uma leitura rápida pra captar
o dia e aquele momento, tão
rápido e marcante pra mim.

Não sei se tudo continuará como era.
Mas acho que não, tudo muda agora.
Mas não quero me amedrontar
e dizer que não tentei.
Fui guerreiro, falei o que devia.
Falei o que não queria.
Disse pouco do que tanto
te falo no verbo.
Mas fui assim, até o fim.

No final de tudo,
um beijo no rosto de mel,
com a leveza e a delicadeza
de uma cacho negro de cabelo.
Um dizer convicto
te amo.
isso foi o ápice da tarde.
o resto foi cotidiano.

foi o melhor momento da
minha curta e rara vida.
Espero que se repita,
mesmo que seja estranho
mesmo que seja anormal
mesmo que seja doido,

Um filme quem sabe.
Um sorvete pode ser.
algo assim pra esquecer
o silêncio e distrair o tempo.
Não toquei suas mãos,
tolo que sou.
Mas amor, saiba que
quero muito fazer tudo isso.
Mas não sou tão forte,
afinal uma rainha
deve ser tratada com
apreço por seu plebeu.

6 comentários:

Eddie disse...

Oh! A eterna mania dos poetas de se matarem diante de suas musas e torná-las deusas. Dá-las o poder de nos fazer sentir a vida com um sorriso ou de nos derrubar com uma palavra (ou a ausência dela). Mas o que seria da poesia sem as paixões e desilusões dos poetas? O que seria da vida sem o amor, mesmo que não correspondido? O que seria de nós sem a poesia? Avante poetas da alegria, poetas da amargura, poetas da esperança, poetas da descrença, poetas da vida, poetas da morte...

Ops, era pra ser só um comentário né?! Então, parabéns cara, gostei muito. Você conseguiu expressar todo o nervosismo, emoção, timidez,incerteza e tantos outros sentimentos presentes nessas ocasiões. Muito bom mesmo.

Thainá disse...

Vc faz ótimos poemas...
Mto legal!

SUSANA disse...

Muito bom seu blog. Obrigada pelos comentários.
Beijos.
P.S.: Adorei a frase "Mas pra quem está oscilante, o tempo tem que ser rápido."

Magnólia Ramos disse...

Moço!

Que belo, que sentimental, que expressão de inocencia e paixão!

Adorei o texto, simplismente incrível...

Pude sentir o desconforto e alivio do personagem do poema, parecia que era eu :$

Adorei o blog!

Seguir-te-ei!

Muitissimo obrigada pela visita, viu?

;**

Cristiane disse...

Muito lindoo!!!
Parabéns

Patrícia disse...

maravilhoso! *-*
não tenho palavras pra expressar, ficou realmente incrível!
te admiro cada dia mais, meu poeta ♥
"retalhos de uma última lição"
te amo muito!